Depoimentos

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Jurim Moreira - Espaço Cultural BNDES 2023 - foto: Mayara Bandeira de Mello

Jurim Moreira: o tempo que pulsa a nossa música

Alguns músicos constroem o chão por onde a música caminha, sustentam o discurso sonoro e dão sentido ao silêncio entre uma nota e outra. É o caso de Jurim Francisco Leal Moreira, nascido em 15 de maio de 1956, na cidade de Jacareí (SP), é um desses artistas raros. Um baterista que transformou ritmo em linguagem, técnica em poesia, e que, há décadas, ajuda a escrever páginas fundamentais da música brasileira contemporânea.

Jurim Moreira é reconhecido como um dos grandes bateristas do Brasil, sobretudo no universo do jazz, da música instrumental e da MPB sofisticada. Seu toque é imediatamente identificável: preciso, elegante, profundamente musical. Não há exibicionismo gratuito em sua bateria. Há escuta. Há diálogo. Há maturidade artística. Jurim toca para a música, e é exatamente por isso que a música cresce quando ele está presente. Sua trajetória se confunde com a história da música brasileira moderna.

Desde muito cedo envolvido com o universo musical, Jurim construiu uma carreira sólida e respeitada, colaborando com alguns dos mais importantes nomes da nossa música, como Hermeto Pascoal, César Camargo Mariano, Edu Lobo, Toninho Horta, entre tantos outros. Em todos esses encontros, sua bateria nunca foi apenas base: foi comentário, resposta, identidade. Do ponto de vista cultural, Jurim representa uma geração de músicos que elevou a bateria a um patamar de protagonismo inteligente. Em suas mãos, o instrumento deixa de ser apenas marcação rítmica e passa a ser discurso artístico. Ele entende a complexidade rítmica brasileira sem perder o balanço, o swing e a emoção, elementos que fazem da nossa música algo único no mundo.

Há também um sentimento profundo de nostalgia ao se falar de Jurim Moreira. Ele nos remete a um tempo em que os discos eram gravados com músicos tocando juntos, respirando a mesma intenção, olhando-se nos olhos. Um tempo em que o estúdio era espaço de criação coletiva, e não apenas de correção técnica. Ouvir Jurim é reencontrar essa verdade sonora, orgânica, humana. Jornalisticamente, sua importância é incontestável.

- Por Moisés Di Souza - Pérolas da Nossa Música.

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